{Segunda-feira, 20 de maio de 2019} Hoje é o dia programado para visitar o Vestiqueiro Colgante. Não dá para esperar mais, por isso se o tempo estiver ruim, infelizmente teremos que seguir viagem sem conhecê-lo.

Para nossa tristeza, amanheceu com nevoeiro, um pouco de nuvens e um sol que não se decidia se aparecia ou continuava escondido. Uma segunda-feira bem preguiçosa.

Tomamos café da manhã pertinho do fogão à lenha, aproveitando os últimos minutos de calorzinho. Antes de sair do camping compramos quatro pãezinhos da Violeta, dona do camping, por $ 250 pesos chilenos cada.

Parque Nacional Queulat

Seguimos em direção ao Parque Nacional Queulat sem a certeza de que conseguiríamos ver o Ventisquero Colgante, mas sem perder as esperanças.

Na portaria, o guarda parque, com cara de poucos amigos, perguntou de que país éramos. Respondemos Brasil, e ele disse seco, sem demonstrar nenhuma expressão no rosto: são $ 10.000 pesos chilenos.

Já esperando um tratamento pouco hospitaleiro, perguntamos se ele sabia como estava a vista para o ventisquero colgante. Então ele pegou o celular e mostrou um aplicativo que indicava sol com nuvens. Disse, como quem não tá nem aí se o visitante vai ver ou não a atração principal, que teríamos que ter paciência e esperar.

Não sei se é porque nossa área de formação é turismo, mas achamos um absurdo que um parque nacional não dê um folheto, um mapa, ou qualquer outro material com informações sobre o local.

A única coisa que ele disse é que poderíamos tirar foto do mapa da parede da bilheteria. Pelo menos ele explicou rapidamente sobre as trilhas e que o parque fechava às 17h30.

Seguimos algumas centenas de metros de carro parque adentro até o estacionamento. Tem banheiros públicos aqui, mas não estão bem conservados.

Trilhas do Parque Nacional Queulat

Começamos fazendo uma pequena trilha de 200m até um mirante panorâmico. A trilha é muito bonita e curtinha com algumas escadas, em um bosque fechado.

Paramos no mirante, mas não vimos muita coisa, pois a paisagem estava encoberta. Nossa aflição era a possibilidade de caminhar um monte e não ver nada no final da trilha.

Fomos para o mirante ao lado e o tempo abriu como em um passe de mágica e lá estava ele, o ventisquero colgante. Bem lá no fundo, mas mesmo assim muito bonito.

Mas essa não é a trilha principal, e além dela, tem mais duas trilhas, uma de 350 metros que é a El Aluvión, e outra de 600 metros até a Laguna Témpanos.

Como já estava um pouco tarde, decidimos ir logo para a trilha do Ventisquero Colgante, que é de 3300 metros.

Trilha do Ventisquero Colgante

Logo no ínicio uma placa avisa que a trilha é moderada/difícil. Bom, não estávamos esperando ficar cansado hoje rsrs.

E a trilha começa com essa ponte linda sobre o rio Témpanos.

Vai dizer que não dá vontade de ficar aqui admirando a beleza desse lugar?

Seguimos pela trilha, que agora passou a ser de terra e pedras. O caminho estava molhado, pois foram três dias chovendo quase sem parar.

Passamos por uma placa que marcava 500 m. Só isso? Achei que tinha andado mais. Acho que estamos fora de forma.

Ter placas é ao mesmo tempo bom e ruim. É bom porque assim a gente sabe se está perto ou não. E é ruim porque assim a gente sabe se falta muito ou não rsrs…

Alguns trechos foram com lama, em uma mata fechada em que não passa sol para ajudar a secar.

Mas a paisagem é encantadora e por isso fizemos muitas paradas para fazer fotos.

Ok, vamos levar bem mais do que as 3 horas que o guarda parque disse que a trilha dura. Já temos certeza disso.

Logo o caminho começa a ficar mais dificil por conta da lama e das subidas. Mesmo assim, que paisagens, hein.

E lá vem outra plaquinha, indicando que já andamos 1000 metros.

Seguimos a trilha e logo passamos pela placa dos 2000 metros. Oba, pegamos o ritmo, agora vai, faltam só 1300 metros.

Um pouco de sol apareceu na trilha e isso fez a gente ficar mais sorridente.

Que trilha mais bonita, apesar da lama no chão e algumas pedras para subir, o caminho é uma beleza.

Será que falta muito ainda? Andamos bastante e nada mais de plaquinhas. Escutamos ao longe umas conversas e nos olhamos como quem diz: devemos estar perto agora.

Ventisquero Colgante

Mais alguns passos e lá estava o ventisquero colgante, lindo e imponente.

Impressionante como a tantos metros de altura possa ter um glaciar e ainda cachoeira que sai por baixo dele. É algo realmente único.

Ficamos felizes demais por ter esperado o tempo melhorar. Foi uma decisão certeira não ter ido adiante apressadamente.

Algumas poucas nuvens ainda insistiam em esconder o ventisquero, mas decidimos ficar e esperar o céu abrir.

Aproveitamos para comer e beber água e descansar. O frio era intenso, mas valia a pena.

E de repente estávamos sozinhos e as nuvens tinham ido embora.

Turistas sem noção

Agora é a nossa hora de fazer aquela foto tão esperada. Estávamos nos preparando quando chegou um grupo que se espalhou pelo pequeno mirante, entrando na frente da câmera, que estava no tripé.

Custava espera 30 segundos???

O Douglas ficou irritado, pois eles perceberam a nossa indignação e nem se deram ao trabalho de sair da frente nem pedir desculpa. Aí então ele entrou atrás deles, para também aparecer na foto. Eu não sabia se ria ou se xingava.

Enquanto esperamos todos fazerem suas fotos, começamos a conversar entre nós, em voz mais alta e pausadamente, para sermos entendidos rsrs. Que saudades da Argentina, né. Lá as pessoas são mais educadas… e a empanada é muito melhor.

E é verdade hahaha.

Deve ser por isso que existe essa cordilheira separando o Chile dos outros países da América do Sul, para o bem de todos.

E aí eles se ligaram e ficaram menos espalhados, para que nós e os outros turistas pudessem também aproveitar o mirante.

Nada é por acaso

Começou a ficar frio, o grupo foi embora e ficamos apenas nós e mais uma família.

Na hora que fomos gravar para o YouTube, uma coisa inesperada aconteceu…

Ventisquero Colgante

Um enorme bloco de gelo simplesmente despencou do alto do glaciar, se espatifando lá em baixo.

Que coisa mais incrível.

Foi inevitável lembrar do ditado popular da região: “El que se apura en Patagonia, pierde el tiempo”.

O caminho de volta

Felizes demais, começamos o caminho de volta.

Que bom que decidimos fazer essa viagem de carro.

Estamos eternamente gratos por tudo que estamos vivendo e vendo por esses quase 90 dias de estrada. Somos pessoas privilegiadas por ter a coragem de agir para transformar um sonho em realidade.

E a volta pela trilha foi um pouco mais rápida, mesmo com o chão ainda úmido e com parte de barro e algumas poças d´água. Todo cuidado era pouco.

Conseguimos, finalizamos a trilha com sucesso. Mas estavamos cansados e ainda tínhamos que pegar a estrada até Chaiten.

Por isso decidimos não fazer as outras trilhas, já estávamos felizes demais por ter visto o ventisquero colgante.

Carretera Austral, do Parque Nacional Queulat até Chaitén

Preparamos uns sanduíches para comer no caminho e pegamos a Carretera Austral novamente.

Que linda que é essa estrada! A cada curva uma surpresa na paisagem. O ruim é que nesse trecho não tem acostamento para pararmos para fotografar.

Lá pelas 17h30 já estava escuro. Aqui, nessa época do ano, quando o sol se põe, muito rapidamente já fica uma escuridão que parece meia noite. Não fica aquela claridade que persiste mais um tempo.

Escuridão e quase nenhum carro passando. Começamos a ficar preocupados, mas não tinha onde parar para dormir.

Tínhamos que ir até Chaitén de qualquer jeito, faltava mais 1h30 de estrada.

Alguns trechos estavam ruins, uma hora alfalto bom, depois pequeno trecho de rípio, voltava o asfalto, mais um pouco de rípio e depois só asfalto de Amarillo até Chaitén.

Chegamos na cidade era quase 19h e tudo parecia fechado. No posto não tinha estacionamento para dormir, então fomos até a praça.

Aqui tem internet gratuita do governo e parece uma área boa para domir. Ficamos pertinho da polícia, para dormir tranquilos.

Estacionamos e montamos a casinha. Estava fazendo -1ºC, por isso tivemos que colocar mais roupas e fechar bem o saco de dormir, até a cabeça.

Continue acompanhando, pois amanhã vamos conhecer um vulcão ativo. Vem com a gente nessa aventuta.

Quer saber mais sobre essa viagem? Confira esse post aqui melevadeleve.com/viagem-de-carro-pela-america-do-sul

Números do dia:

Distância percorrida: 213 km
Tempo: 6h dirigindo + paradas
Banheiro: $ 250 pesos chilenos (aprox. R$ 1,50)
Mercado: $ 9510 pesos chilenos (aprox. R$ 56,00)

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Transfers: Viator
Passeios: ViatorTiqetsTourOn e Get Your Guide
Chip de celular para internet móvel e telefone: My Sim Travel
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Agradecimentos aos nossos apoiadores dessa viagem:

Julia Flores

Formada em Turismo e Hotelaria, com pós-graduação em Marketing Estratégico e experiência com marketing de destinos turísticos. Amo viajar, não pelos carimbos no passaporte ou pelas selfies, mas pelo o que as viagens me proporcionam. Gosto de praticar esportes, mas também adoro ficar de preguiça no sofá em dias frios ou chuvosos.

2 comentários em “Dia 87 – Ventisquero Colgante, Parque Nacional Queulat

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