{Terça-feira, 21 de maio de 2019} Essa noite foi fria em Chaitén, em torno de -3ºC, mas acordamos com o sol brilhando e o céu sem nuvens. Tão bom sentir o calor do sol depois de alguns dias seguidos de tempo nublado e chuva.

Tomamos nosso café da manhã no carro e fomos dar uma volta no nosso quintal. Hoje ele é a praça principal de Chaitén, que se chama… Plaza de Chaitén!

A praça é bonitinha e conta resumidamente através de painéis, a história da cidade.

Depois de “lagartiarmos” um pouco no sol gostoso, fomos até um posto de combustível para usar o banheiro, mas lá só tem mesmo a bomba de combustível.

Estranho um posto que não tem banheiro, mas nos indicaram ir até o restaurante da Dona Maria.

Lá pagamos $200 pesos chilenos, cada. Vimos que tem chuveiro e perguntamos o preço: 2500 pesos. Caro né…

Antes de fazer a caminhada do Vulcão Chaiten, passamos no posto de informações turísticas, mas estava fechado. Uma quadra a frente tem um ônibus que vende comida, oferece passeios e tem mapas gratuitos da cidade e da região, mas também estava fechado.

Na esquina tinha um foodtruck aberto. Perguntamos onde conseguiríamos mapa e informações sobre a cidade e nos indicaram uma agência de turismo em frente ao Copec. Descobrimos que era feriado prolongado no Chile, por isso quase tudo estava fechado.

Na agência de turismo também não tinham mapa, nem informações. Desistimos.

Nesse vai e vem, encontramos uma placa da Carretera Austral e tiramos várias fotos. Quase paramos o trânsito, ainda bem que quase não passam carros por aqui rsrs

Até que um senhor para ao nosso lado com seu carro e pergunta de onde somos, se estamos gostando da cidade, etc… Dissemos que somos do Brasil, que sim, estávamos gostando da cidade, que é bonita, mas que queríamos mais informações e um mapa da cidade e ou região.

Falamos que sentimos falta de informações, que para nós, não basta uma foto bonita, queremos aprender alguma coisa interessante sobre a cidade.

Ele nos disse para, depois de tirar nossas fotos, irmos até a casa dele, pois ele tem uns mapas. Lá fomos nós e ele os arrumou um mapa e contou um pouco da história da cidade e do vulcão.

História bem resumida de Chaitén

Em maio de 2008 o vulcão Chaitén entrou em erupção, obrigando a evacuação de todos os moradores da cidade. A cidade foi destruída e até hoje não foi totalmente reconstruída.

A princípio, o governo chileno decidiu mudar toda a população para a cidade vizinha, Santa Bárbara, pois assim seria muito mais fácil e rápido o retorno à vida normal.

Porém os moradores se negaram a se mudar, queriam reconstruir a cidade. E ali ficaram por mais de dois anos, vivendo sem água e sem energia elétrica.

Nesse período, se uniram, limparam a cidade com as próprias mãos, e ganharam na justiça o direito de continuar vivendo em Chaitén.

O governo então refez o planejamento e a cidade passou a ser recuperada, pouco a pouco.

A caminhada do Vulcão Chaitén

Já era meio dia e precisávamos nos apressar para aproveitar o dia e fazer a trilha até a borda da cratera do vulcão chaiten. Passamos no mercadinho e compramos pão, queijo e salame. Montamos o sanduiche e lá fomos.

Seguimos uns 10 km pela carretera austral no sentido norte. Paramos em um pequeno estacionamento ao lado direito e lá escondido entre as árvores conseguimos ver a pontinha do vulcão.

Começamos a caminhada de 4,4 km com indicação de duração de 3 horas, ida e volta, com dificuldade média/alta. Ok, nós vamos levar pelo menos umas 4h30.

A trilha do vulcão Chaitén é bem definida, não tem muitas placas, mas também não tem como se perder.

O primeiro trecho é em meio a mata, atravessando algumas pequenas pontes de riachos.

Logo chegamos a uma área aberta e um rio aparece na nossa frente, sem ponte. E agora? Chegamos mais perto e o nível de água do rio estava baixo. Ufa, podemos atravessar.

Depois vem uma subida leve, porém cansativa. São muitos degraus que fazem os músculos da perna trabalharem bastante.

Encontramos um casal que já encontramos em El Chalten e em Puyuhuapi. Paramos para um bate papo rápido, enquanto descansamos um pouco. Ele é israelense e ela é inglesa.

A trilha tem alguns pontos para descanso com bancos, então aproveitamos para beber água e apreciar um pouco da vista.

Não podemos demorar muito, pois temos que descer tudo e não queremos pegar a trilha a noite, então, antes que o corpo começasse a esfriar, já voltamos à caminhada.

A trilha vai ficando mais inclinada, exigindo um pouco mais das nossas pernas, por isso mais paradas para respirar e descansar.

Outro banco com uma vista ainda mais bonita. Daqui conseguimos ver o mar lá no fundo.

Vamos, vamos, precisamos continuar. Agora a subida já está mais complicada, pois não há degraus e as pernas estão sofrendo para subir.

Será que devemos continuar?

Claro que sim, não chegamos até aqui para desistir agora. Bora, vamos lá.

Andando, parando, andando, parando. A mata acaba e sobra apenas uma vegetação rasteira pela frente.

Encontramos um cara que estava descendo e tinha cortado a mão na subida. Ele nos disse que estávamos perto, mais uns 5 minutos, mas para tomar cuidado pois o restante do caminho tem muitas pedras pequenas e escorrega bastante.

Lá vamos nós, mais um casal passa por nós e minutos depois outro casal. Por um lado é bom, pois vai ter menos pessoas lá em cima, mas por outro lado, se escurecer rápido, vamos descer sozinhos no escuro.

Quando chegamos havia 2 carros no estacionamento, então, como havia tanta gente na trilha?

O topo do Vulcão Chaitén

Mais uma trilha conquistada!!! As pernas já estavam quase pedindo para parar quando chegamos no topo.

Chegamos, olha ali as fumacinhas saindo do vulcão.

Ficamos um tempo ali observando enquanto fazíamos um lanche e bebíamos água.

Como pode algo tão bonito causar um mal tão grande a tantas pessoas?

Daqui não se vê a lava do vulcão, apenas a sua cratera fechada. Com a erupção de 2008 o vulcão cresceu 200 metros, bem no meio da cratera. E dali víamos somente a fumacinha que saía dele, indicando que ainda está ativo.

O sol começou a descer mais rápido, temos que nos apressar.

E começamos a descida, que foi mais rápida e um pouco mais fácil. Mas nem tanto, as pernas sofrem também, pois os degraus são altos e exigem certo esforço dos joelhos.

As pernas já estavam bambas e estava perigoso descer assim, poderíamos nos machucar. Paramos no segundo mirante para beber água e comer um chocolate.

Energias repostas, continuamos e sol parecia que já estava querendo se despedir. Aceleramos o passo, mas com cuidado.

Chegamos ao rio. Ufa, agora só mais um trecho, mas pelo meio da mata.

E quando menos esperávamos, uma curva no bosque e lá estava o nosso carro/casa nos esperando.

Chegamos com a luz do dia ainda. E olha lá o vulcão sendo iluminado pela luz do por do sol.

Nos agasalhamos e seguimos estrada pela carretera austral em direção ao sul, voltando para Chaitén.

Estava muito frio, o corpo estava úmido e precisávamos de um banho quente.

Camping da Rita

Lembramos do casal que encontramos na trilha, eles nos disseram estavam no camping da Rita, que era bom e barato. Fomos até lá para conferir.

Parecia bom, $ 5.000 por pessoa. Lemos no iOverlander que tinha um camping muito bom ao lado. Fomos conferir, mas não tinha calefação e não parecia tão bom assim.

Voltamos no camping da Rita e ela nos mostroua área para comer e cozinhar com calefação, banheiro interno com água quente na pia. Não precisou muito para nos convencer. Vamos ficar aqui.

Tão bom um banho quente. Você talvez não saiba o valor que esse banho tem para quem está na estrada, mas é uma das coisas mais desejadas por nós.

Banho tomado. Jantar quentinho. Água quente para a bolsa de água que vai ajudar a nos aquecer na casinha.

Parece que essa noite vai ser fria, pois o carro já estava coberto por uma fina camada de gelo.

Amanhã nosso destino é Trevelin, na Argentina. Sim, nossos dias pela Carretera Austral estão acabando, mas a viagem pela Argentina promete. Então, vem com a gente!

Quer saber mais sobre essa viagem? Confira esse post aqui melevadeleve.com/viagem-de-carro-pela-america-do-sul

Números do dia:

Distância percorrida: 213 km
Tempo: 6h dirigindo + paradas
Banheiro: $ 250 pesos chilenos (aprox. R$ 1,50)
Mercado: $ 9510 pesos chilenos (aprox. R$ 56,00)

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Agradecimentos aos nossos apoiadores dessa viagem:

Julia Flores

Formada em Turismo e Hotelaria, com pós-graduação em Marketing Estratégico e experiência com marketing de destinos turísticos. Amo viajar, não pelos carimbos no passaporte ou pelas selfies, mas pelo o que as viagens me proporcionam. Gosto de praticar esportes, mas também adoro ficar de preguiça no sofá em dias frios ou chuvosos.

4 comentários em “Dia 88 – Caminhada até a cratera do Vulcão Chaitén

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