{Domingo, 21 de abril de 2019} Combinamos com a Carina e com o João de começarmos a trilha Base de las Torres cedo, às 7h30, por isso acordamos às 6 horas.

Uma hora e meia para ficar pronto parece muito né? Mas passa voando quando precisamos colocar roupas para sair no frio e ir ao banheiro, depois arrumar as coisas de dormir para dar espaço para as coisas de café da manhã. Depois tomar o café, arrumar os equipamentos de foto e vídeo, trocar de roupa, escovar os dentes… Tudo na campervan toma mais tempo do que o normal.

Na verdade às 6h20 levantamos. Às 8h estavamos 100% prontos.

Porém não sabíamos que a portaria só abre as 8h30 nesse período do ano. Então ficamos meia hora batendo papo até abrir e encontramos alguns galhos que serviam de bastões de caminhada. Enfim, lá pelas 9h começamos.

A Trilha Base de las Torres

O primeiro trecho é reto e largo, passa pelo hotel Las Torres e só depois começa a trilha de verdade.

Ela é bem sinalizada, embora as distâncias de um ponto a outro nos deixe um pouco confusos. O que importa é que são 10 km para ir e 10 km para voltar.

Depois de uma subida de média inclinação de chão de terra e um pouco de pedras, entramos em um lindo bosque, com árvores de folhas avermelhadas e amareladas, as cores do outono.

Um cenário lindo, com o rio ao lado direito do vale nos acompanhando. Passamos por pontes de madeira e por pequenos riachos.

A trilha varia entre partes estreitas e largas, próximas a encostas, plantas, subidas bem íncrime e descidas. É preciso levar bastante água, pois a trilha é cansativa. Se não quiser carregar peso, pode encher o cantil com água dos riachos ou no acampamento Chilenos.

O chão varia entre terra, barro, pedriscos e pedras grandes. Nada que uma boa bota de caminhada não enfrente facilmente.

As subidas são de terra moldadas e pedras que formam degraus, alguns muito altos que chegam a queimar os músculos da coxa.

Fomos sem pressa, parando para tirar fotos e muitas vezes as pessoas nos passaram. O João e a Carina foram mais a frente, mas de vez em quando nos encontrávamos.

Foi ótimo ter companhia, além de nós fazendo companhia um ao outro. Fomos batendo papo, um fazendo foto do outro, contando causos da viagem.

O dia estava perfeito. Céu aberto, sol gostoso e pouco vento.

Aos poucos fomos esquentando. Primeiro tiramos as luvas, depois a proteção do pescoço e por último o gorrinho.

Estávamos bem cansados já quando de repente passa um cara de shorts, sem camiseta, correndo na subida, como se estivesse na esteira da academia. Um olha para o outro e a expressão facial foi a mesma: “De onde esse cara surgiu??”

Acampamento Chilenos

No acampamento Chilenos, às 11h30 almoçamos o lanche da trilha, um sanduiche de queijo e salame e mais snacks e frutos secos.

Enchemos a garrafa com água da torneira que é potável. Tem cafeteria e camping aqui, mas um sanduíche custa $ 10.000 pesos chilenos, cerca de R$ 60,00, um chá custa uns R$ 15,00.

Trilha Base de las Torres Acampamento Chilenos

Quando o corpo começou a esfriar, continuamos a trilha atravessando uma ponte e seguindo pelo bosque, subindo e descendo, ganhando altitude pouco a pouco.

Até a guarderia levamos mais uma hora e meia. Estávamos num passo bom, não muito diferente do que o estimado de 5 horas para ir.

O desafio de verdade chegou

A partir daqui o bicho pega de verdade. Quando o bosque acaba o terreno fica mais pedregosos e a subida é brusca.

Trilha Base de las Torres

Mais paradas, mais água, parada para encher a garrafa em um riacho, menos conversa, mais concentração, marcando sempre um ponto à frente como objetivo, para poder parar e descansar uns minutinhos.

Trilha Base de las Torres

Em um certo ponto a trilha de pedra margeava à esquerda e mais adiante à direita, ficava bem na nossa frente, com uma curva na parte mais alta.

Logo pensamos, naquela curva termina. Nos concentramos, mandando para os músculos da perna toda nossa energia e fomos. Mas paramos depois de uns 20 metros para respirar.

Chegamos na tal curva, descobrimos que faltava mais ainda.

Comentei com a Ju, “depois de toda essa subida, ninguém merece descer para subir de novo.” Um casal que voltava comentou: “só mais 5 minutinhos. Tá quase!”

Nos concentramos e fomos. Na curva final as Torres se mostraram  bem atrás do lago da base de las Torres, uma cena inacreditável.

A glória, a conquista!! Chegamos no Mirador Base de las Torres!! E que vista fascinante!

Trilha Base de las Torres

Mas o cansaço era tanto que paramos na parte alta para comer e beber. Só uns 20 minutos depois descemos até próximo ao lago para tirar fotos.

A paisagem é única. Um lago azulado com três torres de pedra imensas ao fundo. Os ícones do Parque nacional Torres del Paine.

A volta da trilha

Depois de todas as fotos possíveis, hora de voltar. Chegamos aqui às 14h30 e às 15h30 começamos a descer. É importante começar cedo, pois a partir das 16h ninguém mais pode ficar ali. É para dar tempo de retornar antes de escurecer.

Na volta as pernas já não obedeciam direito e tropeços nas pedras se tornaram frequentes. A paisagem foi deixada um pouco de lado, só olhavamos nas paradas de descanso.

A concentração aumentou, pois a dor nos pés e pernas estavam mais intensas. Ainda bem que arrumamos os galhos para usarmos como bastão de trekking.

Com o sol baixo, atrás das montanhas do outro lado do vale, o frio aumentou. Mesmo assim, não dava para usar o gorrinho, pois o corpo estava muito quente.

Na Guarderia nós paramos para ir ao banheiro e encher a garrafa com água.

Voltamos à trilha e nada do acampamento Chilenos chegar. Caminhamos, caminhamos e nada. Foi um trecho cansativo, mesmo sendo descida. É que na nossa cabeça estava perto e de lá o fim também. Engano nosso.

Chegamos às 17h25 no Chilenos onde comemos os snacks e enchemos a garrafa novamente. Foi uma parada rápida, pois estava bem frio.

O corpo agradeceu a energia consumida e foi um pouco mais fácil enfrentar o começo desse trecho.

O bosque já não chamava a nossa atenção e só olhávamos para o chão, para não ver as subidas que faltavam.

Quando chegamos no topo do trecho final, onde só havia depois descidas até o nível do rio, a sensação foi de missão cumprida. Porém o trecho ainda era longo.

Os joelhos resistiram bem à descida, fiquei surpreso, pois sei que eles são os que mais sofrem quando caminhamos montanha abaixo.

Na reta final, já em terreno plano, estava quase escuro e as pernas estavam bambas. Terminamos a trilha às 19h30, 10 horas depois.

A alegria foi enorme. Conseguimos! Conseguimos!

Com lenço úmido tomamos um banho completo, no banheiro de cadeirantes que fica aberto 24 horas no estacionamento. Os outros fecham às 20h.

Nossa janta seria comida instantânea feita com água quente da cafeteira da lanchonete.

Supostamente fechava às 20h, mas já estava fechada quando chegamos. Ainda bem que tivemos a ideia de juntar nossos ingredientes com os da Carina e do João para fazer uma ceia de Páscoa.

Rapidamente nos ajeitamos na porta de entrada do banheiro, onde havia proteção do vento, do frio e tinha tomada para usar a panela elétrica deles. Descascamos batatas, cortamos cenouras, abrimos lata de grão de bico, ervilha, atum, cortamos cebola, pimentão, alho, colocamos o arroz na panela elétrica, preparamos a salada, beliscamos batatas chips enquanto isso.

Ao final, um banquete, para fechar com perfeição o dia de hoje. Hora de dormir sem despertador.

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Números do dia:

Distância percorrida: 20 km a pé.
Tempo: 10 horas caminhando, parando, subindo, descendo, caminhando, parando.

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Agradecimentos aos nossos apoiadores dessa viagem:

Julia Flores

Formada em Turismo e Hotelaria, com pós-graduação em Marketing Estratégico e experiência com marketing de destinos turísticos. Amo viajar, não pelos carimbos no passaporte ou pelas selfies, mas pelo o que as viagens me proporcionam. Gosto de praticar esportes, mas também adoro ficar de preguiça no sofá em dias frios ou chuvosos.

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