Dias 75 e 76 – Perito Moreno à Los Antiguos

{Quarta e quinta, 08 e 09 de maio de 2019} Era para ser apenas uma noite em Perito Moreno, mas acabamos ficando um dia a mais para finalizar os posts do blog que estavam em atraso. E conseguimos.

No dia seguinte era para acordar às 7h, mas só levantamos às 8:30.

Fomos ao banheiro e aproveitei para ferver a água com o rabo de galo na tomada do banheiro. Água quente é vida, e hoje ela vai se transformar só em café, já que as tigelas estão sujas, e não dá pra fazer aveia.

Aqui no Axion tem chuveiro e é de graça, então vamos tomar banho antes de pegar a estrada. Pedi a chave para o frentista e ele pediu para esperar pois o banheiro estava sendo limpo.

Voltei ao carro para ajudar a Ju a colocá-lo no modo carro. Também chequei o nível do óleo e se havia óleo no chão, já que ontem fizemos a troca dos 10 mil km.

Nossa, atingiremos 10 mil km em breve, nesse trajeto de Perito Moreno até Puerto Río Tranquilo.

O banho no posto de gasolina

O banho foi bom, quando houve água. É que cada vez que alguém abria a torneira ou dava a descarga, a água do chuveiro sumia. Foi complicado, ainda mais com o frio que a calefação não conseguia vencer.

Sabemos que tem gente querendo saber sobre os banhos durante a viagem. Então cada banho é de um jeito, mas tem sim bastante banho pelo caminho. Todos os dias? Não… Mas sempre temos lenços úmidos.

Antes de pegar a Ruta 43 passamos no museu de arqueologia Carlos Gradin, que fica no centro de Perito Moreno. Aliás, acho que tudo é centro, seria exagero dar nome de bairro a qualquer lugar daqui.

Povos originais

Nosso interesse no museu foi na verdade o mural grafitado, que representa os povos originais da cidade.

Acho isso muito legal. No Brasil dizemos ‘os índios’ e aqui são ‘os povos originais’. Me parece valorizar mais quem aqui já habitava.

O plano é ir até Los Antiguos ainda na Argentina, passar a fronteira em Chile Chico e seguir pela ruta 265 até Puerto Río Tranquilo.

Porém, o roteiro é livre e já desapegamos do planejamento original. Podemos parar onde quisermos. Pois é, decidimos isso após refletir sobre a viagem, quando estávamos em Tolhuin.

E assim foi. Andamos uns 20 km e paramos em um mirante.

Parque Nacional Patagonia

Começamos a procurar um lugar legal para estacionar e fazer o almoço. Vimos uma placa na estrada dizendo ‘Parque Nacional Patagonia’, ficamos curiosos e paramos.

É uma antiga estância de criação de ovelhas para a produção de lã. Hoje a propriedade La Ascención está se tornando parque nacional, junto com outras propriedades vizinhas.

O Ezequiel, guarda-parque do local, ficou feliz em nos receber e acabou nos guiando pelas instalações.

Nos mostrou o local onde o rebanho recebia um banho de produtos para retirar pulgas, carrapatos e outros parasitas. Depois nos mostrou o galpão de tosa e explicou como era o procedimento.

Cada saco de lã tem 200 kg e são necessários mais ou menos 25 ovelhas para enchê-la. Na década de 1970, 1980, a lã era exportada para a Europa, mas um vulcão entrou em erupção e matou milhares de ovelhas.

Para completar, outros países passaram a competir no mercado europeu. E assim a estância perdeu a importância e deixou de funcionar faz uns 5 anos, quando o instituto passou a prepará-lo para se tornar parque nacional.

A estância La Ascención fica na beira do lago Buenos Aires e o caminho de uns 1300 metros é por um corredor álamos, que formam um túnel.

O sr. Guido, que trabalhou por anos na estância, nos explicou que essas árvores são plantadas como uma ‘cortina’ para bloquear os fortes e frios ventos patagônicos.

O caminho é de uma beleza bem típica, já que vimos diversas vezes pela estrada essas cortinas.

Hora do almoço

Chegamos à área de camping e não havia mais ninguém. Éramos os únicos visitantes.

Nos instalamos em uma mesa de piquenique, que tem churrasqueira e é coberta. Montamos o fogão e fizemos o almoço. Uma deliciosa sopa de macarrão e legumes.

Nos sentamos no gramado para aproveitar o sol e almoçamos sem pressa.

Chegar em Puerto Río Tranquilo hoje? Para quê? O mais importante é aproveitar esses momentos pelo caminho.

Seguimos mais algumas centenas de metros até a beira do lago Buenos Aires e aproveitamos um pouco a paisagem.

Voltando à sede do parque, conversamos um pouco mais com o sr Guido e seguimos viagem.

Do Parque Nacional Patagonia à Los Antiguos

Às 16:30 horas saímos de lá e uns 20 minutos depois chegamos em Los Antiguos. Decidimos ir direto ao centro de visitantes, para saber o que há na cidade.

A atendente ficou feliz em nos receber e explicou tudo sobre essa pequena e charmosa cidade.

Não é muita coisa, pensamos. Pelo menos há atrações.

Por ser uma cidade de fronteira, pensamos que não haveria nada e que seria meio feia e largada.

Mas Los Antiguos é muito bonita e charmosa. Muito bem cuidada e com atenção aos detalhes. Você vai perceber, por exemplo, nas grades dos mirantes.

Por do sol em Los Antiguos

Fomos ao mirante Uendeunk de onde se vê a parte urbana. Como o sol já estava baixando, saímos rapidinho para ver o por do sol no mirante del Valle.

Los Antiguos

Acontece que de repente, no meio do caminho, o sol se foi. Quando chegamos no mirante, só havia a claridade quase no fim.

Los Antiguos

Decidimos ir ainda hoje até a Avenida Costanera e ao molhe. Que lugar encantador.

 

Onde dormir em Los Antiguos

Vamos dormir hoje aqui, na beira do lago, para ver o sol nascer de dentro da campervan.

Mas antes, voltamos até o centro de visitantes. Dissemos que a cidade é encantadora e que decidimos ficar uma noite para amanhã conhecer mais. E que para isso, precisaríamos de água fervente para fazer uma sopa instantânea.

E pedi para ferver a água da térmica com o rabo de galo. Perguntei se havia alguma tomada para usar e ela prontamente se ofereceu para ferver na chaleira de lá.

Jantamos a sopa junto com o que sobrou do almoço e estava uma delícia.

Ficamos estacionados até às 23 horas ao lado do centro de visitantes para usar a internet e depois voltamos até a beira do lago para dormir.

Hoje é dia de wild camping, ou seja, dormir em local público, sem estrutura nenhuma. Quer dizer, sem banheiro, sem banho, sem wi-fi. Só nós e a natureza.

Chegamos no local e nos pareceu pouco seguro, então seguimos até o posto da cidade, onde estacionamos e dormimos.

Quer saber mais sobre essa viagem? Confira esse post aqui melevadeleve.com/viagem-de-carro-pela-america-do-sul

Números do dia:

Distância percorrida: 74,9 km
Tempo: 7h30 dirigindo e paradas.
Almoço e jantar: $ 650 pesos argentinos (aprox. R$ 65,00)

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Julia Flores

Julia Flores

Formada em Turismo e Hotelaria, com pós-graduação em Marketing Estratégico e experiência com marketing de destinos turísticos. Amo viajar, não pelos carimbos no passaporte ou pelas selfies, mas pelo o que as viagens me proporcionam. Gosto de praticar esportes, mas também adoro ficar de preguiça no sofá em dias frios ou chuvosos.

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