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O que é ser mochileiro – parte 1

Pensamos muito sobre como iríamos abordar o tema pelo ponto de vista de turismólogos, para não tornar entediante essa seção do blog.

Não chegamos à conclusão nenhuma e essa parte corre sério risco de não ser lida por ninguém. Mas, não tem problema…

Num blog que fala também também sobre turismo de mochilão/backpacker, é importante discutir o que é ser backpacker, porque nem tudo o que se lê a respeito por aí está correto.

Bom, antes de tudo, é bom esclarecer que não temos a pretensão da nossa definição ser a mais correta e muito menos definitiva, até porque o turismo backpacker está em constante mudança.

Isso acontece, pois existem diversos perfis de mochileiros, que variam conforme a cultura, a condição financeira, a forma de enxergar o mundo, a expectativa com as viagens, enfim, há diversos fatores.

Já fizemos uma definição anos atrás e a alteramos. Talvez no futuro façamos outra revisão da definição para melhor se adequar à realidade do momento.

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Pontos de vista

Além disso, essa é uma pergunta que depende muito do ponto de vista.

Como assim? Você deve estar se perguntando.

A definição depende de quem está definindo o que é ser mochileiro. Nós usaremos principalmente dois pontos de vista.

O que é ser mochileiro

Será que somos uma tribo, a tribo dos mochileiros? Pessoalmente, não gostamos desse termo ‘tribo dos mochileiros’.

Será que mochileiro é aquele que simplesmente vai até a rodoviária e lá escolhe para onde vai viajar?

Será que viaja pelo mundo sem destino certo?

Será que não sabe onde vai dormir e encara dormir ao relento (sempre)?

Será que não sabe quanto tempo vai ficar?

Será que decide tudo na hora mesmo?

Pegar carona obrigatoriamente faz parte?

Será que é preciso ser muito corajoso?

Será que todos chegam a ser irresponsáveis sobre sua própria segurança?

Será que não se hospeda em hotéis 4 ou 5 estrelas, nem mesmo de vez em quando?

Fizemos uma pesquisa de perfil com 550 mochileiros para não cair no erro comum do “achismo”. O resultado publicaremos aqui em breve.

Mochileiro, por outro mochileiro

Um mochileiro definindo a si mesmo diz que é ser aventureiro, que é um viajante ao invés de um turista, que não gosta de locais de turismo de massa e que é contra os pacotes de viagem por não oferecerem liberdade de escolha.

Diz que é um estilo de vida, que há uma cultura mochileira que os diferenciam dos demais turistas.

Alguns acreditam até que ser mochileiro os torna de alguma forma superior aos outros tipos de turistas.

Criam uma caricatura (algumas vezes real) dos turistas e se denominam praticantes da “arte de viajar”. Bem, concordamos com alguns pontos.

Mochileiro, pela sociedade

Já uma pessoa comum, da sociedade em geral, diz que mochileiro é uma pessoa que vaga sem rumo pela cidade, que usa roupas sujas e não cuida da higiene pessoal.

Pensam que os mochileiros são pobres e por isso não podem nem mesmo se hospedar em hotéis 3 estrelas.

Como é o perfil do segmento mochileiro

Podem até afirmar que são marginais, que roubam para poder viajar.

Podem ainda pensar que todos os mochileiros são bêbados e drogados, arruaceiros, que não se importam se na cidade turística há moradores que acordam cedo para trabalhar.

Enfim, quem nunca ouviu uma definição preconceituosa e generalista sobre os mochileiros?

Se ainda não ouviu, diga para uns 10 parentes que você virou um mochileiro e veja o resultado.

Mas apesar do preconceito, temos que concordar que parte dos mochileiros dá motivos para esse ponto de vista.

Mochileiro, pelos pesquisadores

Para um pesquisador do turismo, o mochileiro é um segmento do mercado turístico, possui características como itinerário flexível, tempo de viagem extenso, pouco gasto por dia, mas grande gasto total, que busca atividades participativas e interação com a população local e com outros mochileiros.

Aparenta ser um grupo homogêneo, mas contém sub-segmentos (ou nichos) com características bem visíveis.

O pesquisador definiria o perfil de cada nicho conforme características socioeconômicas, motivação de viagem, características das viagens, etc.

Afirmaria ainda que os mochileiros podem ser mais benéfico aos destinos turísticos nos pontos de vista socioeconômico, cultural e ambiental.

Mochileiro, pelas empresas de equipamentos

Já o mercado diz que os mochileiros são um nicho de mercado com grande poder de compra, pois possuem características socioeconômicas elevadas, de classe A e B principalmente, e tem grande disposição em consumir produtos relacionados a viagens e atividades de aventura.

Entre os principais produtos e equipamentos estão: mochilas desenvolvidas para carregar muito peso ou para ser próprias para determinadas atividades; tênis e botas super-resistentes, a prova d’água, que protege os pés contra o frio extremo; calças e bermudas impermeáveis, fáceis de lavar e secar; camisetas próprias para não deixar o suor atrapalhar o desempenho ou para aquecer mais que as camisetas normais; barracas para praia, montanha, calor, frio extremo e ventos fortes; sacos de dormir que não ocupam espaço, mas mesmo assim protegem de temperaturas negativas; fogareiros e utensílios especialmente desenvolvidos para cozinhar em trilhas, leves e duráveis; lanternas, cantis, purificadores de água, isolantes térmicos, equipamentos de atividades de aventura específicos como caiaques, bicicletas, mosquetões, cordas, capacetes, entre outros.

Enfim, uma infinidade de equipamentos para uso na água, na terra ou no ar, que foram desenvolvidos com muita pesquisa e investimento.

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Mochileiro, pelo governo

Um governante (ou alguém do poder público ligado de alguma forma ao planejamento do turismo) define o mochileiro como um turista que não traz benefícios econômicos aos destinos turísticos.

Afirmam que os gastos dos mochileiros não geram impostos que os tornem atrativos.

A ordem máxima dos órgãos de turismo é atrair turistas que gastam mais por dia, não importa quem é o maior beneficiado desses gastos, não importa se o mochileiro distribui melhor os benefícios econômicos.

No fim das contas, é o fim das contas que importa para o governo. Simples assim.

Nossa análise

Cinco pontos de vista diferentes. Nós, como turismólogos e mochileiros, vamos definir conforme nossa visão, mas sem esquecer de abordar certos pontos das definições da sociedade e do governo. Mas não agora, em breve, num próximo post.

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Douglas e Julia

Douglas e Julia

Bio de casal? Como assim? É que alguns textos foram escritos juntos, então aqui estamos nós. Julia é gaúcha que solta uns 'ô meu' e Douglas é paulista que manda uns 'bah tchê'. São formados em Turismo e Hotelaria com especialização em Marketing, amam viajar e criaram esse blog em 2005. Já viu, né, viagem é o assunto principal deles.

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