O que é ser mochileiro – parte 2

Continuando o post ‘O que é ser mochileiro – parte 1‘, vale destacar que o segmento backpacker não pode ser generalizado como sendo de jovens sem dinheiro viajando com uma mochila nas costas.

Há diferentes perfis, motivações e formas de viajar entre este público, que abrange jovens, adultos e até mesmo pessoas de mais idade.

Erik Cohen, um dos primeiros pesquisadores do turismo mochileiro, afirma que há uma grande lacuna entre a ideologia original (a cultura backpacker) e a prática atual de parte dos mochileiros, que se assemelham mais ao turista comum do que eles mesmos admitem.

Segundo os pesquisadores Alteljevic e Doorne isso se deve ao fato de o turismo mochileiro estar cada vez mais institucionalizado.

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Turismo (ou turista) institucionalizado e não-institucionalizado

O turismo institucionalizado é aquele que oferece todos os recursos para que os turistas se sintam seguros e confortáveis, por isso os turistas institucionalizados são os que precisam sentir segurança, organizam suas viagens por intermédio de agências, reservam acomodação e transporte, evitam riscos e procuram situações familiares.

Com exceção do uso de agências emissivas para organizar a viagem, pode se dizer que grande parte dos mochileiros são institucionalizados.

Já os turistas não-institucionalizados, claro, são ao contrário, desejam novidades, são independentes na organização, estão dispostos a correr riscos e tem o orçamento limitado.

Os mochileiros tradicionais fazem parte desse grupo.

Mochileiro Real e o Turista de Mochila

A pesquisadora O’Reilly concorda com a distinção dos tipos de mochileiros e afirma que há uma linha divisória que marca a fronteira entre o  mochileiro real (aquele que segundo ela viaja por mais de dois meses e meio) e o turista que viaja utilizando uma mochila por menos tempo (normalmente o período das férias escolares ou do  trabalho), chamado de short-term backpacker (mochileiro de curta duração) ou backpacker light (mochileiro brando).

Nessa linha de pensamento, o pesquisador Jarvis denomina o subsegmento como holiday backpacker (mochileiros de férias/feriado) e há ainda o surgimento do termo neobackpacker.

Mochileiros contemporâneos

Mas não se prenda à tantas definições. Os mochileiros de curta duração citados acima, podem ser chamados de mochileiros contemporâneos.

Em geral estes mochileiros têm pouco tempo disponível e gostam do estilo de viagem independente dos mochileiros.

Eles não hesitam em gastar muito em experiências únicas.

Tempo VS Dinheiro

Segundo Cody Paris, entre os mochileiros de curta duração pode haver dois perfis diferentes: os que não têm muito tempo e os que não querem viajar por muito tempo.

Além disso, pode-se classificar os mochileiros de viagem mais curta da seguinte forma:

• Não tem tempo nem dinheiro disponível para realizar viagens de períodos longos;

• Tem tempo disponível, mas não tem dinheiro para estender o tempo de viagem;

• Tem pouco tempo disponível, mas tem bastante dinheiro para a viagem e gostam do estilo independente dos mochileiros.

Ou seja, há mochileiros de longa data e que hoje, por compromissos pessoais não podem viajar por longos períodos.

E há mochileiros que tem a cultura mochileira, mas viajam de mochilão por períodos curtos, gastando mais por dia (chamados flashpackers).

Como é viajar de mochilão

O mochileiro não necessariamente é sempre de um determinado subsegmento. Essa condição é momentânea.

Pode ocorrer de um mochileiro em determinada época da vida realizar uma viagem de um ano, mas depois não ter mais esse tempo disponível no decorrer dos anos.

O contrário também pode ocorrer, o mochileiro pode realizar pequenas viagens até ter confiança e experiência para realizar uma grande viagem pelo mundo.

Os tipos de viagens dos mochileiros

O que torna o segmento mochileiro tão diversificado é que existem extremos com relação às viagens de mochilão:

  • Viagem de longa duração por poucos destinos: proporciona real aprofundamento na cultura local
  • Viagem de longa duração por muitos destinos: o sonho de todo viajante
  • Viagem de curta duração por poucos destinos: o mais comum entre todos
  • Viagem de curta duração por muitos destinos: uma verdadeira corrida contra o tempo

O certo é que com a popularização e o aumento da quantidade de praticantes, o fenômeno mochileiro está se modificando e tornando o segmento cada vez mais heterogêneo.

Enquanto o mochileiro tradicional quer fugir do modelo de consumo do turista convencional, o mochileiro contemporâneo se aproxima desse modelo.

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Douglas e Julia

Douglas e Julia

Bio de casal? Como assim? É que alguns textos foram escritos juntos, então aqui estamos nós. Julia é gaúcha que solta uns 'ô meu' e Douglas é paulista que manda uns 'bah tchê'. São formados em Turismo e Hotelaria com especialização em Marketing, amam viajar e criaram esse blog em 2005. Já viu, né, viagem é o assunto principal deles.

2 comentários em “O que é ser mochileiro – parte 2

  • Avatar
    12/09/2013 em 03:37
    Permalink

    Legal! Vou citar no meu mestrado, posso? Abração!!

    Resposta
    • Douglas e Júlia Sawaki
      12/09/2013 em 09:39
      Permalink

      Roger, pode sim, basta citar a fonte 😉

      Mestrado em que curso? Qual universidade? Qual é o tema?

      Abração!!

      Resposta

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