Fazer check-in no Foursquare, publicar foto no Instagram, Twittar que o dia está bonito na praia.

Viajar, pesquisar e compartilhar em tempo real é uma realidade faz alguns anos. As viagens são hiperconectadas.

Mas não era em 2007, quando nós fizemos o Mochilão na Ásia. Naquele ano, o nosso meio de comunicação (e da quase totalidade dos viajantes) era o email. O blog também, servia para as pessoas saberem onde estávamos.

Se estávamos sem saber a localização certa, tínhamos que perguntar a alguém. Se a pessoa não entendia bem o inglês, tínhamos que falar com palavras simples. Se a pessoa não entendia nada, tínhamos que fazer mímica ou desenhar.

Desenvolvemos “técnicas viajadas de comunicação”.

Se tivéssemos um smartphone, buscaríamos no mapa e logo o caminho seria traçado, sem erro, sem desvios.

Quando encontrávamos um restaurante e não sabíamos se era bom ou não, analisávamos por um tempo o entra e sai de pessoas, espiávamos as mesas para saber o que serviam, olhávamos o menu para saber se estava escrito em inglês também.

Desenvolvemos um “olhar desbravador”.

Se tivéssemos um smartphone, pesquisaríamos o nome do restaurante e quantas ‘estrelinhas’ ele tem. Pesquisaríamos o que é o prato Dal Bhat e o que há nele.

Entenderam onde queremos chegar?

É certo que os celulares são uma mão-na-roda em algumas ocasiões, mas será que vale a pena sacrificar as experiências espontâneas de viagem?

Experiências espontâneas de viagem

Onde ficam as surpresas da viagem? A tecnologia dos smartphones, os aplicativos e as redes sociais estão “matando” as possibilidades?

Talvez quem é da “Era do smartphone” nem desconfia como é viajar offline e não faz idéia do que são as “surpresas de viagem”.

Essas experiências são aquelas que surgem de forma imprevista, quando o viajante se perde na cidade, fica batendo papo com moradores locais, muda os planos ao saber de um atrativo imperdível que não tinha ouvido falar, decide se juntar a viajantes recém-conhecidos, conhece uma casa e uma família local ou quando pratica o slow travel.

Experiências aleatórias são aquelas que não estão nos guias.

Converse, converse e converse com os moradores locais e com outros viajantes.

Pergunte, responda, troque ideias.

O smartphone não deve ser seu único companheiro de viagem.

Somente conversando com as pessoas é que as experiências espontâneas acontecerão.

E para ter mais chance de conversar, prefira restaurantes econômicos (nos turísticos os garçons tendem a conversar menos e trabalhar mais), hospede-se em hotéis que propiciem a interação entre hóspedes, visite pequenas cidades e vilarejos, vá a mercados públicos, brinque com as crianças, sorria aos adultos.

Fique ‘disponível’ para conversas.

Esqueça que há um aparelhindo no seu bolso com todas as respostas.

Você consegue deixar de pesquisar tudo nele? Você consegue ser um desbravador à moda antiga?

Vamos mais além para gerar uma reflexão, será que as experiências espontâneas de viagem estão morrendo?

Douglas e Julia

Bio de casal? Como assim? É que alguns textos foram escritos juntos, então aqui estamos nós. Julia é gaúcha que solta uns 'ô meu' e Douglas é paulista que manda uns 'bah tchê'. São formados em Turismo e Hotelaria com especialização em Marketing, amam viajar e criaram esse blog em 2005. Já viu, né, viagem é o assunto principal deles.

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22 comentários em “As experiências espontâneas de viagem estão morrendo?

  1. O smartphone ajuda mto, eu concordo, mas nem sempre ele está ativo… sinal de 3G ou WiFi não é onipresente.
    Utilizo bastante nas minhas viagens sim, mas me deixo ser surpreendido também… (alias, quem tem um TIM sabe muito bem do que to falando, hehehe).
    Adorei o assunto do post. ;D

    1. Olá Maurício! Obrigada pelo comentário.
      Qualidade de conexão a parte, percebemos que algumas pessoas são dependentes dos smartphones e não conseguiriam viajar sem ele. Abraço!

  2. Adorei o questionamento. Aqui em casa ainda damos espaço para o improviso e a “experimentação”. Nas vezes em que ficamos perdidos, encontramos as melhores surpresas. Agora, preciso confessar, a necessidade de registrar tudo tem me consumido. Tenho que me policiar para não perder a magia do momento por tirar fotos demais, escrever o que me vem a cabeça pra não esquecer… Depois de criar um blog, isso ganhou proporção gigantesca. Estou na busca pelo equilíbrio. Um abraço!

    1. Olá Elaine!
      Muito obrigado pelo seu comentário!
      Nós sempre falamos que é preciso se perder para conhecer o lugar.
      Também temos esse “problema” com registrar tudo, mas concordamos com você, temos que aprender a equilibrar.
      Um abraço!

  3. Ótima postagem! Mas eu acho que as experiências espontâneas nunca acabarão. Afirmar isso, vai depender da perspectiva de olhar para os viajantes, que é muito influenciado pelo meio. Se vocês estão em um meio com muita gente conectada, vai achar que só tem gente conectada viajando. Entende? É tipo você gostar de sertanejo e achar que a maioria gosta de sertanejo,mas na verdade não conhece o axé e o fuck. (Exemplo bem tosco… hahaha)
    Lendo essa postagem percebi que conheço muito mais viajantes desconectados do que conectados. Verdade! Eu mesma ,como blogueira, não sou exemplo dessa “conexão” toda. Mal tinha um celular que tirava fotos até esses dias. rsrs Somos diferentes (e muitos) viajantes e a acredito que diversidade prevalecerá sempre. 😉
    bjooo pro cês, casal querido!

    1. Oi, Cris! Valeu pelo comentário 😉
      É verdade, o meio influencia nessa percepção.

      Ainda bem que a diversidade ainda prevalece, mas à medida que mais pessoas têm smartphones e mais os apps se popularizam, não sei não… Até você comprou um rsrs

      Nós também não somos tão conectados assim. Pesquisamos muito antes, mas durante a viagem não pesquisamos praticamente nada.

      Já vimos diversos casos de uma pessoa estar parada na frente de um restaurante pesquisando o que dizem dele antes de entrar…

  4. Bacana a reflexão.. eu vou confessar que apesar de estar na blogosfera desde 2007, minha maneira de viajar é bem antiga.. não tenho o hábito de ler blogs, no máximo eu dou google e o que vier na frente sobre o destino eu dou uma olhada.. sou do tempo do guia impresso e olhe lá.. acho que por isso que meu post de “meus perrengues de viagem” é tão grande.. sempre fico exposta às surpresas. E isso se reflete tb na minha mania de viajar de carro, seja onde for, e de não reservar alguns hotéis.. pra dar espaço pra uma mudança de idéia. Se depender de mim isso não acaba! 😉

    1. Oi Flávia!

      Legal sua maneira de viajar! Acreditamos nas viagens dessa forma também! Pelo visto há um ‘movimento de resistência’ contra a morte das viagens espontâneas, que bom!!

  5. Acho que estão pq cada vez mais eu vejo as pessoas com o celular o tempo todo. Até meu pai fica o dia todo procurando APP

    1. É verdade Carolina, os smartphones agora são muito usados pelos pais e também avós! Mundo moderno, né.
      Isso vai interferir bastante nas viagens com certeza.

  6. Smartphones, Stupid People ??!!!

    interessante esse post, me faz lembrar sobre o documentario Surviving Progress, se vcs ainda nao viram, vale muito a pena.

    😉

    1. Olá Debora! Não conhecemos esse documentário, vamos pesquisar sobre ele. Obrigado pela dica e pelo comentário

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