{Segunda, 25 de março de 2019} Acordamos um pouco depois do despertador, pegamos nosso café da manhã e entramos no HI Patagonia Hostel para preparar tudo.

Tem um pessoal gente boa aqui, mas hoje não dá para ficar batendo papo. Temos que sair o quanto antes para visitar a Península Valdés.

Nós ainda não tínhamos nos dado conta de que saindo de Puerto Madryn, leva-se o dia inteiro para visitar a península. É longe e lá na península a estrada é de rípio, o que faz a circulação ser em velocidade baixa.

A empolgação de visitar um local onde foram gravados vários documentários sobre vida selvagem era bem grande. Orcas? Lá tem! Pinguins? Também! Lobos e leões marinhos? Sim, muitos!

Era enorme a ansiedade de encontrar esses animais fascinantes em seus habitats naturais.

De Puerto Madryn à Península Valdés

De Puerto Madryn até a entrada da Área Natural Protegida da Península Valdés a distância é de 44 km. Lá paga-se pela entrada na península, e o ticket custa 650  pesos argentinos por adulto estrangeiro.

Depois são mais 22 km até o centro de visitantes. É importante parar aqui para planejar a visita à península.

Os guarda-parques sabem tudo sobre as marés e dependendo do horário que você chega, você faz o trajeto em um sentido, ou em outro, ou deixa de visitar coisas legais para poder ver uma específica. Eles explicam qual é o melhor roteiro na península.

Por isso uma dica da Península Valdés é: chegue o mais cedo possível, para ter todas as opções possíveis e aproveitar ao máximo.

Queríamos ter visitado a Estancia San Lorenzo, mas a entrada é bem cara. Ainda bem que se encontra pinguins em outro ponto da península.

A guarda-parque nos indicou não visitar Punta Delgada, por causa do horário, e iniciar o roteiro pela Caleta Valdés, onde há uma pinguinera no caminho e uma loberia.

Estamos começando a nos acostumar com os termos: a pinguinera é o local onde os pinguins constroem seus ninhos e a loberia é onde os lobos marinhos se concentram aos montes.

Então de lá seguimos até Puerto Pirâmides, a única vila dentro da reserva da Península Valdés. Esse é o lugar para abastecer o carro e sacar dinheiro para garantir que não vai faltar recursos para o passeio.

Dá uma vontade de visitar a vilinha e seus pontos próximos, mas tínhamos que focar no objetivo: chegar no horário para ver as Orcas.

Para ter uma ideia, são mais de 260 km rodados só dentro da península, em estrada de rípio. Tudo é longe e demorado. Por isso é importante saber a melhor sequência para visitar o lugar e ficar atento aos horários das marés altas e baixas.

De Puerto Pirâmides até a pinguinera são 75 km a uma velocidade média de 50 km/hora, pela Ruta Provincial 3 e Ruta Provincial 52. A gente foi devagar pois temos uma casa no carro e a estrada chacoalhava tudo. As caminhonetes estavam passando a 70 ou 80 km/hora.

Pinguinera Caleta Valdés

Ao estacionar na pinguinera Caleta Valdés, uma emoção tomou conta de nós. Pinguins, dezenas deles, bem pertinhos de nós, separados apenas por um arame que demarca o nosso limite.

Se esticasse o braço, daria para tocá-los. Deu vontade, mas para evitar que se altere o comportamento deles, me contive. Já pensou se todos resolvem tocá-los?

Logo eles fariam seus ninhos em outros lugares, mais afastados dos seres humanos ditos ‘racionais’.

Sério, uma lágrima quase escorreu. Pinguins em seu habitat natural, que coisa mais linda. Eu quis ficar ali por horas, tomando sol igual a eles.

Mas a vontade de ver orcas também era grande.

Seguimos viagem até a loberia.

Loberia

Da pinguinera até a loberia a distância é curta. São apenas 4 km. Fui o caminho todo repetindo em espanhol: pinguinos, pinguinos.

Chegando na loberia, uma discussão enorme, uma barulheira sem tamanho. Um lobo marinho berrava, o outro respondia. Não sei qual era o assunto, mas estava muito interessante não entender nada.

Uns tomavam sol de boa, enquanto outros passavam por cima deles, indo ou vindo da água. Um caos bonito de se ver.

Orcas e lobos marinhos

51km de estrada de rípio da Ruta Provincial 47 nos separavam das orcas e tudo indicava que chegaríamos na melhor hora da maré.

Então lá fomos nós! A estrada não tem muitos buracos, então apesar de não ser asfaltada, não é ruim.

O único problema é quando ‘micro-lombadas’ ficam seguidas uma das outras, fazendo tudo trepidar incessantemente. Não tem o que fazer, não são como os buracos que podem ser desviados.

Quando estacionamos, vimos uma dezena de fotógrafos de verdade, com lentes enormes, todos a postos. Pensamos: pimba! Hoje tem orcas!

Mas não, só vimos lobos marinhos, um pouco de longe.

Perto da praia fica cheio de algas que vão se acumulando e boiam. Algumas nos enganam com o movimento da água e várias vezes falamos empolgados:
Olha uma orca ali! Ah, não, é alga.

No dia anterior foram avistadas 7 orcas bem perto da praia, mas hoje, nada… Só algas enganadoras e os lobos marinhos.

Nada contra eles, mas viemos mesmo ver orcas…

Na hora de ir embora, no estacionamento, a Ju subiu na soleira da porta, olhou para o mar, viu os lobos marinhos entrando todos na água e disse meio alto para mim: olhá lá!

Nisso, os fotógrafos que estavam entrando na van pegaram suas câmeras e correram de volta pensando que eram orcas.

Hahaha, caímos na gargalhada e entramos logo no carro para ir embora antes que eles voltassem furiosos com a Ju.

Mirador em Punta Pirâmides

80km nos separavam do Mirador Loberia, em Punta Pirâmides. Então sem perder tempo, fomos lá para dar tempo de ver ainda o por do sol no lago dos flamingos.

Chacoalhamos mais um pouco pela Ruta Provincial 3 e quando o sol estava dando sinais de baixar mais rápido, chegamos na loberia.

Aqui a sinfonia foi ainda maior, com eles berrando muito! Que fascinante ver a natureza em seu estado mais natural possível! Ficamos encantados!

O sol já estava baixo e não queríamos pegar estrada de rípio a noite, então não fomos à Ilha dos Pássaros, famosa por ter inspirado o autor do livro “O Pequeno Príncipe”.

Voltamos então para Puerto Madryn, admirando o por do sol na estrada, bem à nossa frente.

Chegamos no HI Patagonia Hostel com um sorriso largo no rosto. O Gastón perguntou, já sabendo a resposta: Gostaram??

Nem precisamos responder. Pinguinos, pinguinos, pinguinos!

Quer saber mais sobre essa viagem? Confira esse post aqui melevadeleve.com/viagem-de-carro-pela-america-do-sul

Números do dia:

Distância percorrida: 363 km
Tempo: 10h25 entre dirigir e paradas.
Combustível: $ 33,53/l pesos argentinos (aprox. R$ 3,35/l) em Puerto Madryn
Entrada: $ 1.300 pesos argentinos (aprox. R$ 130,00)/os dois.

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Julia Flores

Formada em Turismo e Hotelaria, com pós-graduação em Marketing Estratégico e experiência com marketing de destinos turísticos. Amo viajar, não pelos carimbos no passaporte ou pelas selfies, mas pelo o que as viagens me proporcionam. Gosto de praticar esportes, mas também adoro ficar de preguiça no sofá em dias frios ou chuvosos.

2 comentários em “Dia 31 – Um roteiro inesquecível pela Península Valdés

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