Albergue da juventude X albergue assistencial: esclarecendo os termos

Esse post é a nossa primeira tentativa de esclarecer um equívoco que prejudica o desenvolvimento do turismo mochileiro no Brasil.

Sabemos que é só a primeira tentativa. Sabemos que temos um longo caminho a percorrer… e precisamos da ajuda de todos os mochileiros.

Albergues da juventude no Brasil

Os albergues chegaram ao Brasil em 1961, trazidos por Joaquim e Ione Trotta. Eles visitaram um albergue pela primeira vez na França, em 1956.

O primeiro albergue brasileiro se chamava Residência Ramos. Mais tarde, em 1971, foi fundada a Federação Brasileira de Albergues da Juventude (FBAJ), com sede no Rio de Janeiro.

Quando o movimento alberguista chegou ao Brasil, ao invés de utilizar o termo global ‘hostel’, de fácil diferenciação semântica, decidiu-se utilizar a palavra ‘albergue’, que possui dois significados bem distintos.

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Não sabemos se o Brasil decidiu adotar a palavra albergue da juventude por causa da correspondente em espanhol “albergue juvenil” ou por causa da palavra em italiano ‘albergo’, que significa hotel.

Mas de qualquer forma, consideramos que ter adotado o termo ‘albergue’ pode ter sido crucial para o não desenvolvimento desse mercado no Brasil.

Você dorme em albergue?

Um dos motivos de ainda haver discriminação aos mochileiros no Brasil é que a concepção do meio de hospedagem ainda não é claro para a maioria da população brasileira.

Existem 2 tipos de albergues no Brasil. Os albergues da juventude (utilizados pelos mochileiros) e os albergues assistenciais (utilizados normalmente por pessoas carentes que não possuem abrigo).

O que é albergue
[Crédito: Khaosan World Asakusa RYOKAN]

Albergues da juventude

Os albergues da juventude são meios de hospedagens que priorizam a economia (na maioria das vezes) e a interação entre hóspedes. Por isso, o ambiente geralmente é bem descontraído.

Para ser mais econômicos, costumam ser simples, com quartos coletivos e banheiros/outras dependências compartilhadas. Isso não é regra, pois muitos oferecem quartos privativos com banheiro e alguns são mais luxuosos e caros do que hotéis turísticos.

O turista que se hospeda em um albergue (chamado de alberguista) não quer e não precisa de serviços e amenidades de hotéis de luxo ou resorts.

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Para os alberguistas, a função de um albergue é prover descanso e higiene básicos, além de interação social com outros viajantes.

Preferem a economia (com conforto e higiene) a serviços caros ou ‘supérfluos’. O dinheiro economizado é geralmente alocado na prática de atividades externas ao meio de hospedagem, como passeios, entretenimento e cursos.

Albergues assistenciais

Os albergues assistenciais são instituições públicas ou privadas cuja vocação primária é dar assistência temporária às pessoas necessitadas, principalmente à moradores de rua.

O principal objetivo não é a prestação de serviços de saúde, mas podem provisoriamente (sob supervisão de profissionais habilitados) prover serviços básicos nessa área.

Alguns albergues assistenciais também dão assistência a portadores de transtornos mentais e dependentes químicos. Esses funcionam como residências terapêuticas.

As suas instalações físicas provem a acolhida e o abrigamento, fornecendo condições de pernoite, higiene pessoal, lavagem e secagem de roupas, alimentação, guarda volumes e trabalho socioeducativo.

Ao entardecer, é comum ver filas em frente aos albergues assistenciais. Já que o uso é transitório, o usuário não tem lugar garantido todos os dias. Não há sistema de reserva e há mais procura do que vagas.

Por que diferenciar os albergues?

Viram porque não diferenciar os dois tipos de albergue pode gerar uma imagem errônea dos mochileiros?

Infelizmente ainda há no Brasil preconceito em relação aos usuários de albergues assistenciais. E esse preconceito acaba se estendendo também aos mochileiros.

Enquanto houver no Brasil essa confusão com os termos, é melhor usarmos sempre a palavra ‘da juventude’ junto à palavra ‘albergue’.

Outra maneira de evitar confusão é intercalar sempre que possível com o termo global ‘hostel’.

Assim, pouco a pouco meio de hospedagem será de conhecimento de toda população…

O caminho é longo, mas com o esforço de todos, conseguiremos…

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Douglas e Julia

Douglas e Julia

Bio de casal? Como assim? É que alguns textos foram escritos juntos, então aqui estamos nós. Julia é gaúcha que solta uns 'ô meu' e Douglas é paulista que manda uns 'bah tchê'. São formados em Turismo e Hotelaria com especialização em Marketing, amam viajar e criaram esse blog em 2005. Já viu, né, viagem é o assunto principal deles.

15 comentários em “Albergue da juventude X albergue assistencial: esclarecendo os termos

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    22/09/2012 em 12:26
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    Excelente post!!! É Júlia Flores Hüller Sawaki, o caminho é longo para qualquer coisa relacionada ao turismo, ainda mais para mochileiros e "lowcosters". A começar pelo transporte urbano! Não há como se locomover, com uma mochila ou uma malinha nas nossas cidades, os önibus são absurdos (turismo de aventura?) metrô?? Aqui no Rio começo a ver os hostels se estruturando, mas… ainda falta muito! E ainda é tudo muito caro para mochilar pelo Brasil. bjs

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      24/09/2012 em 20:04
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      Olá, Mala de Rodinha! Realmente tem muito trabalho a ser feito. E não é só mochilar que é caro, o custo de vida do brasileiro também é muito elevado. O país só será realmente bom para os turistas se locomoverem, quando antes de tudo, for bom para a população que aqui residem.Bjs

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    22/09/2012 em 16:52
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    Sei bem o que e isso pois sou dona de um albergue em Manaus e vejo que muitos brasileiros ainda nao sabem essa diferenca e chegam receosos.Outro problema e exigir servicos que nao condizem com o valor da tarifa.Isso tambem gera problemad pois a principal funcao a meu ver e manter um preco economico mas oferecendo o basico e a interacao com os demais hospedes.

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      23/09/2012 em 14:36
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      Me da teu telefone amiga, tenho alguns amigos que me perguntam sobre Albergue em Manaus e eu não conheço. bjs

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      24/09/2012 em 19:57
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      Olá, Paula! Curioso, não imaginávamos que isto ocorria com os alberguistas, já que ao procurar por uma hospedagem economica, imagina-se que a pessoa já tem conhecimento de como é.

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    27/09/2012 em 12:38
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    Muito bom o post esses dias mesmo estava tendo essa discussão, sobre essa visão que o pessoal tem do albergue. Acho que o melhor mesmo é adotar o nome hostel.

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    09/11/2012 em 12:13
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    Nos últimos anos, o Porto (Portugal) encheu-se de hostels, alojamentos mais baratos e com um espírito informal, que condizem com o perfil de muitos dos turistas que têm enchido a cidade: jovens, com mais vontade de gastar o seu dinheiro no dia-a-dia da cidade, jantares, saídas à noite, compras, do que em hotéis luxuosos. O mais recente é o Tattva Design Hostel, o maior do Porto, que quer a nível de design, de conforto e de facilidades corresponde a qualquer bom hotel, com a vantagem de ter um preço bem melhor. Tem também um restaurante acessível ao público em geral, com design e um terraço fantástico.
    Deixo aqui a sugestão, pois vale mesmo a pena a visita: http://www.tattvadesignhostel.com

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    25/09/2013 em 17:23
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    Parabéns pelo post! Muito bem elaborado, mas acredito que isso não vai mudar do dia para a noite… Acredito que deveria haver uma política de iniciativa aos alberguistas para adotarem o internacionalmente conhecido "HOSTEL", já que hoje muitos deles possuem estruturas e atendimento com padrões internacionais. No Brasil temos o hábito de não seguirmos os padrões internacionais no turismo e isso gera muita polêmica e prejuizos para o setor.

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    13/10/2013 em 11:05
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    Excelente post ! Infelizmente esta é a visão da maioria da população brasileira. Digo pq quando comecei a viajar sozinha e dizia aos meus parentes e amigos que ficaria hospedada em albergues, todos, principalmente meus pais rs, se preocuparam e disseram que não era hospedagem recomendada para uma moça viajando sozinha. kkkkk (hoje eu dou risada mas na época ficava brava ).
    Aos poucos fui mudando o pensamento deles e sempre recomendo este tipo de hospedagem para meus parentes e amigos.
    Agora quando eu digo que vou viajar a minha mãe pergunta: ' Já viu o hostel né?!' rsrsrs
    Não me considero uma mochileira pq tenho pouquíssima experiência em viagens mas levanto essa bandeira e busco um dia poder me considerar uma mochileira de respeito rs.
    Tenho tanta paixão por Albergues da Juventude e Turismo da Juventude que estou concluindo meu TCC na faculdade de Turismo sobre este tema. Abordo o surgimento da categoria e a ligação com o Turismo Social e a Sustentabilidade.
    Descobri o blog por conta disso. Apesar de não ser um tema tão novo, encontro pouquíssimo material para estudo sobre o tema.
    E aproveito até pra deixar um 'apelo' caso alguém saiba mais sobre o assunto.
    Bjus e parabéns pelo blog !

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    • Douglas e Júlia Sawaki
      16/10/2013 em 00:01
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      É verdade. Até que as pessoas se acostumem com esse meio de hospedagem, elas vão ficar chocadas com a escolha… Que legal o tema do TCC! Realmente tem muito a ver com sustentabilidade e turismo social, esse é realmente o intuito da rede Hosteling International. Obrigadão e abraços

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    25/10/2014 em 08:41
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    Bom dia, estou realizando um trabalho no meu curso de Turismo. Justamente busquei o tema albergue e o preconceito, para a realização do meu seminário. Então encontrei os seus textos. Em um certo item, tenho que fazer uma pesquisa qualitativa e quantitativa. E gostaria muito que você pudesse me responder umas perguntas, para a qualitativa.Porque as pessoas de um modo geral, tem um certo receio e preconceito com albergues no Rio de Janeiro? Essa situação, poderia ter chance de mudar algum dia?Obrigada.

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