Seu cotidiano é uma loucura? Frenético, acelerado, você precisa que o dia tenha 30 horas?

Provavelmente sim, não é?

E quando você viaja, continua na mesma correria visitando todos os pontos turísticos? Já pensou em desacelerar um pouco?

E por que as pessoas não desaceleram durante as viagens?

Porque o turismo atual é pautado na produtividade, o turista parece estar cumprindo metas, como no programa de TV The Amazing Race.

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Viagem The Amazing Race

Quanto mais, melhor, a quantidade é o que importa. Tirar foto de tudo quanto for possível, obter o máximo de carimbadas no passaporte.

É a viagem praticada por quem diz: “não sei quando eu poderei viajar para longe de novo, então quero conhecer tudo” ou então “o guia diz que é imperdível”.

Um típico roteiro produtivo (e muito corrido) é mais ou menos assim: dois museus de manhã, o restaurante X indicado no guia Y no almoço, o parque mais badalado da cidade e o monumento ‘sei lá a quem’ de tarde, o jantar no restaurante Z indicado no guia W e a “balada imperdível” para fechar a noite.

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No outro dia, algo mais ou menos parecido e depois, correr para o aeroporto ou estação de trem com destino à segunda cidade.

E a qualidade da viagem? Será que ela existe nas “maratonas turísticas”?

Será mesmo possível conhecer 15 cidades da Europa em 20 dias? Perceberam o negrito na palavra ‘conhecer’? Significa ‘conhecer’ mesmo e não “passar os olhos rapidamente e tirar foto”.

O que é Slow Travel?

Um dia sem atividade turística parece um dia perdido, para a imensa maioria dos viajantes.

Por exemplo, ficar parado em um parque observando a cultura local ou andar sem propósito para “se perder” pelas ruas onde os turistas não passam.

Será mesmo um dia perdido? Será que essa imersão cultural não traz aprendizado? Será que não há beleza nisso?

Experiência própria: essa quebra de ritmo proporciona grandes experiências, basta saber enxergá-las.

Essa viagem sem pressa, tentando se conectar com a cultura local (mesmo sem saber o idioma), relaxando um pouco ao invés de tentar cumprir o itinerário imperdível, é chamado Slow Travel e surgiu a partir dos movimentos Slow Food e Slow Cities.

Slow Travel não tem nada a ver com a duração da viagem, não é ficar muito tempo fora e demorar para voltar para casa.

Slow Travel é passar mais dias em menos cidades, independente da duração da viagem.

Como organizar a própria viagem

Slow travel em Veneza

Quer praticar o Slow Travel?

É claro que ninguém vai deixar de visitar os principais pontos turísticos para ficar todos os dias observando o cotidiano. Mas por que não fazer isso de vez em quando?

Tente reservar um dia sem nada programado para cada 3 dias de itinerário programado.

Vá a uma praça ou parque bem movimentado, sente-se em um banco, leia um jornal local (ou veja as figuras se não entender o idioma hehehe), tire algumas fotos do cotidiano, fique ouvindo música, converse com alguns moradores…

Principais dicas para fazer um mochilão

Dalat, Vietnã

Sente-se em um café perto da janela, peça uma bebida e fique observando a calçada.

Compare os estilos de roupas das pessoas, repare se caminham digitando no celular, veja se há ciclistas usando terno e gravata, observe se os carros param para os pedestres, se as pessoas usam as lixeiras.

Caminhe por ruas fora das rotas turísticas. Geralmente não é preciso ir muito longe, basta ver no mapa as ruas que estão fora do quadrilátero formado pelos principais pontos turísticos.

Em Bali, por exemplo, a 3 quarteirões da rua Legian já não se encontra turistas e sim moradores Balineses.

Simples não é? Pode ter certeza que também será prazeroso… Que tal tentar?

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Douglas e Julia

Bio de casal? Como assim? É que alguns textos foram escritos juntos, então aqui estamos nós. Julia é gaúcha que solta uns 'ô meu' e Douglas é paulista que manda uns 'bah tchê'. São formados em Turismo e Hotelaria com especialização em Marketing, amam viajar e criaram esse blog em 2005. Já viu, né, viagem é o assunto principal deles.

5 comentários em “O que é Slow Travel

  1. Eu prefiro visitar menos coisas, mas visitar bem cada ponto!!! Mas por outro lado, não quero perder nem um minuto… Isso significa que em viagens acordo cedo e vou dormir tarde… Na minha última viagem, passei 3 semanas na China e acordava todos os dias entre 5 e 6 horas da manhã e só ia dormir a meia noite (pq dormir é para os fracos kkkk) Não perdia tempo na internet, tv, etc. Mas por outro lado, cada étapa da viagem para nós era mais lenta que para os turistas normais (quando a média de visita de um museu é de 2 horas a gente leva o dobro do tempo, por exemplo)…

  2. Slow eh melhor, se a viagem eh de ferias, precisamos fazer tudo sem pressa para aproveitar e tambem descansar. Mas as vezes nao da neh, as vezes fica corrido mesmo

    1. É Lu, e tem viagens que não precisam ser slow, não tem problema ver e fazer muitas coisas. Porém é sempre bom perceber detalhes dos lugares que só vê quem viaja atentamente. Obrigado pelo comentário!

  3. Prefiro slow, e não me arrependo de não ter conhecido um ou dois pontos turísticos por escolher ficar na casa da minha anfitriã tomando sorvete e assistindo seriados. Poderia fazer isso na minha casa, ou em qualquer outro lugar, mas gosto de viajar para conhecer pessoas também, e não apenas visitar lugares. Assistir TV local, desfrutar de uma tarde em um parque desconhecido, passear por um bairro fora do circuito turístico… enfim, tudo isso ajuda a tornar a viagem uma verdadeira imersão na cultura local.

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