Acordo super empolgado. É hoje o grande dia!

Machu Picchu está logo ali me esperando, já faz algumas centenas de anos. Tá, cheguei meio tarde, aos meus 34 anos, mas antes tarde do que nunca né?

Está chegando a hora de eu encontrar a Cidade Perdida dos Incas e a sensação não poderia ser diferente.

Sinto um misto da sabedoria de Pachamama, com o espírito desbravador de Hiram Bingham e a grandiosidade do Império Inca, mas no fundo, no fundo, sei que sou apenas mais um entre os milhares de turistas do mundo todo.

Mesmo assim, me sinto especial, muito especial.

Me sinto privilegiado por poder ver de perto essa excepcional obra da humanidade, que até então me fazia viajar sem sair do lugar, no pensamento, nas páginas de revistas e documentários de TV.

Passagens aéreas
saindo de

É real! Estou bem perto! Não sei como descrever a ansiedade que estou sentindo.

Tomo o café da manhã bem rápido no Belmond Inkaterra Machu Picchu Pueblo, onde estou hospedado.

Ainda não pude aproveitar esse hotel como ele merece ser aproveitado. Ontem cheguei super cansado depois de completar o trekking de 4 dias na trilha Salkantay, por isso apenas jantei e fui dormir.

Chega a ser um desperdício não passar um tempo no hotel, mas não foi para isso que eu vim até aqui. Vim por causa da Cidade Perdida dos Incas, e para me encontrar durante o caminho pelos Andes.

Saio do hotel e vou a pé até o ponto de ônibus que me levará até a entrada do sítio arqueológico de Machu Picchu.

Parece que os 4 dias nas montanhas não foram suficientes para eu aprender a controlar a agitação. Mas ao mesmo tempo que penso em chegar logo lá, também penso como seria incrível me perder pelas ruas estreitas de Aguas Calientes. Uma pena que a passagem aqui será super rápida.

Subo no ônibus e me ajeito, bem inquieto. Quando fico em silêncio por uns instantes, percebo que não se fala de outro assunto no ônibus:

“Você acredita que estamos aqui?”, “É hoje o grande dia!”, “Finalmente vamos ver a Cidade Perdida dos Incas!”, “Machu Picchu está na minha lista desde meus 7 anos!”

Todas as conversas giraram em torno de uma dessas frases e suas variações. Essa era atmosfera durante os poucos minutos em que o ônibus sobe a montanha fazendo zigzags bem curtos.

Machu Picchu, a cidade Perdida dos Incas

Estou agora na fila para entrar em Machu Picchu. Fecho os olhos e mentalizo, agradecendo por realizar mais esse sonho.

Já tinha visto zilhões de fotos e assistido um bocado de documentários, mas Machu Picchu é um daqueles lugares difíceis de acreditar que existem.

Se os olhos parecem duvidar no que veem, é improvável eu conseguir explicar com palavras o que estou sentindo agora.

O guia é quéchua, povo original da região, e além da incrível história de Machu Picchu, também é marcante a forma de falar, a expressão no rosto, a alegria e a emoção de passar o conhecimento de seus ancestrais. Simplesmente cativante!

Há quem diga que não é preciso contratar guia local, mas imagine só todas as informações que você recebe em uma visita guiada de mais de duas horas. Acredite, sua selfie vai ficar com “cara de conteúdo”.

Área agrícola

Arrepio. Essa é a primeira coisa que sinto quando eu adentro o sítio arqueológico. Eu estou pisando na cidade sagrada dos Incas! Tenho que parar por um tempo, pois o arrepio me paralisa.

Sinto uma ponta de decepção. Na minha cabeça, ao entrar no sítio arqueológico, a primeira imagem era a da foto clássica, mas não, a entrada é na parte um pouco mais abaixo da cidade.

Fico imaginando o povo andino cultivando os vegetais, principalmente batatas, tirando vantagem do terrenos transformado em ‘escadarias’ com diferentes solos para diferentes cultivo, além do engenhoso sistema de irrigação. Aqui no setor agrícola, as plantas usadas nos rituais também eram cultivadas.

Huayna Picchu

Caminho em direção a Huayna Picchu, aquela montanha atrás da cidade, que compõe o cartão postal. Essa passagem delimita o setor agrícola e o setor urbano. Abaixo, no lado direito, estão as áreas cultiváveis.

Área Urbana

A cidade parece totalmente viável para ser habitada ainda hoje. Todas as paredes estão lá apenas esperando colocar os telhados 🙂 Impressionante como tudo foi erguido para resistir aos terremotos.

A organização arquitetônica dos incas é de tirar chapéu, tudo é setorizado e interconectado.

Meus joelhos ainda doem muito e eu estou penando para caminhar. A cidade sagrada tem muitos degraus, e bem altos. Cada passo leva meus joelhos ao extremo.

Sinto uma imensa frustração, não conseguirei visitar a Puente Inka, a ponte que liga uma das trilhas à cidade sagrada.

Templo do Sol

No Templo do Sol sinto uma forte energia, estranha, um arrepio. O guia começa então a explicar que lá aconteciam rituais sagrados e também sacrifícios religiosos. Foi uma experiência bem esquisita…

O tempo parece parar aqui nas ruínas, mas na verdade passa muito rápido. Não sei se é porque eu quero tirar fotos sem pressa, ou faz parte da magia Inca.

Templo das 3 janelas

Chego agora no templo das três janelas e fico impressionado com a beleza e a plasticidade desse lugar.

Cada janela tem um significado, subsolo (Uku-Pacha), céu (Hanan-Pacha) e o tempo presente (Kay-Pacha), e apesar de não ser exatamente simétricos, cada enorme pedra cumpre a sua função de moldar as janelas no formato de trapézio.

Intihuatana

Outro sentimento recorrente é o de mistério. Estudiosos tem diversas teorias para cada local da cidade sagrada. O  Intihuatana é um dos que gera grande debate.

Alguns dizem que é um relógio solar, outros acreditam que era usado na astronomia, e há ainda quem acredita ser o ponto de conexão entre as montanhas ao redor.

Tem um conjunto de pedras que mostram perfeitamente como a civilização inca era detalhista. As pedras, olhadas de um certo ângulo, se encaixam na silhueta das montanhas ao fundo. É impressionante.

A mesma mágica do segundo dia da trilha do Salkantay me toma hoje. Vou caminhando sem pressa entre os corredores, tentando pegar por osmose a sabedoria dos Incas.

A vista clássica de Machu Picchu

Uma expectativa me toma por completo a cada degrau vencido ao preço da dor nos joelhos.

Ao chegar no ponto mais alto, de onde se tem a vista clássica das ruínas, sinto um êxtase inexplicável. É uma empolgação, uma euforia sem tamanho. Sinto me realizado.

É como se as páginas das revistas se transformassem num passe de mágica, e os elementos ganhassem vida. Vejo lá longe as lhamas compondo as fotos dos turistas, bem tranquilas, desfilando pelas ruínas.

Vejo o rosto em Huayna Picchu, vejo a grandeza de uma civilização que deveria estar até hoje entre nós, vejo minha pequenez diante disso tudo.

Fico pensando se todos sentem a energia de Machu Picchu que estou sentindo agora.

Fico pensando no significado dessa jornada nos Andes, se todos absorvem isso que eu estou sentindo. Espero que sim.

Pachamama

Sigo calmamente pelos caminhos das ruínas, quando chego na beirada da montanha, de onde a vista ao redor é impressionante. Tenho aqui comigo as três folhas de coca que o xamã me deu na cerimônia a Pachamama. É hora de fazer três pedidos e deixar o vento levar as folhas.

Antes de fazer o pedido, uma lágrima escorre. A saudade da Jú é imensa e meu desejo é que ela pudesse estar comigo nesse momento, apreciando toda a harmonia que o lugar transmite.

Depois dos pedidos, medito por todo o tempo que o guia diz que eu tenho nesse local.

Lhamas

Caminho mais um pouco e chego na área aberta onde as lhamas estavam passeando calmamente. Me lembro que elas cospem, mas mesmo assim quero chegar perto e tirar uma selfie.

Sem sucesso rsrs

O guia chama, é hora de ir embora. O sentimento agora é uma mistura de tudo o que senti a cada passo dentro do sítio arqueológico.

Quando o arqueólogo Hiram Bingham encontrou a Cidade Perdida dos Incas em 1911, ele escreveu em seu diário:

Would anyone believe what I have found? (Alguém vai acreditar no que encontrei?)

Entendo perfeitamente o motivo da dúvida dele, já que eu mesmo quase não acreditei no que eu vi.

Para planejar o seu roteiro no Peru, leia os outros posts (e o diário do trekking no Salkantay) aqui. E para saber onde ficar, veja as opções de onde se hospedar em Machu Picchu Pueblo.

Se você quiser saber onde é melhor ficar em Cusco, clique e leia esse guia para descobrir qual é a melhor região de Cusco para se hospedar e para escolher o melhor hotel da cidade dentro do seu orçamento. E não se esqueça é que muito importante viajar ao Peru com seguro viagem. Veja aqui um comparativo de seguro viagem e ganhe 5% de desconto.

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Douglas Sawaki

Formado em Turismo e Hotelaria, com experiência em vendas e marketing na área do Turismo. Paulista que aprendeu a curtir São Paulo depois que deixou de ser um cara estressado. Meio sedentário, meio esportista, se é que você me entende.

4 comentários em “Machu Picchu: a cidade perdida dos Incas

  1. Uau esse foi o melhor post q li sobre machu picchu, me fez me sentir lá. Quero sentir tudo isso logo. Estou planejando a minha viagem pro começo de 2017. Vou ficar esperando mais posts do peru

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