Imagina a cena. Você está na sala de embarque e ouve um aviso de que o voo vai atrasar.

Da sala dá pra ver a pista do aeroporto de Navegantes e todos os passageiros vão lá espiar, afinal o avião pousou no horário.

Minutos depois, alguém explica que o atraso é porque uma peça da turbina se soltou, mas está tudo bem, logo o avião vai decolar.

Mas da sala também dá pra ver o que os mecânicos estão fazendo: colando fita adesiva na turbina.

Heim? Fita adesiva? Vamos voar em um avião remendado na turbina?

O incidente e o avião remendado

Eu trabalhava na Azul e estava na pista.

Nesse dia eu era o coordenador de rampa, o cara responsável por coordenar os procedimentos de desembarque do voo e de embarque, logo em seguida.

Quando os primeiros passageiros começaram a descer, alguns avisaram que na hora do pouso parte da fuselagem acima da turbina se soltou, seguido de um forte barulho, do vento contra essa parte que perdeu a aerodinâmica.

Chamei os caras da Azul Tec, os mecânicos da Azul, e eles confirmaram o fato.

Aí começou o procedimento de segurança. No carro da Infraero fomos até a pista de pouso, descemos e procuramos pela peça que se soltou, afinal, se ela ainda estivesse na pista seria um perigo enorme para os outros voos. Não encontramos nada.

Voltamos onde a aeronave da Azul estava. Depois de um bom tempo analisando a fuselagem, os mecânicos e os pilotos decidiram: Coloca speed tape e vamos embora.

Speed tape

Speed tape? Pensei, tape é fita, speed é velocidade. O que seria isso? Uma fita rápida? Um remendo na fuselagem?

Sim, isso mesmo.

Apesar de parecer bizarro voar em um avião remendado, esse procedimento é autorizado pelas autoridades da aviação e pelos engenheiros das aeronaves.

E isso é bem comum pelo que fiquei sabendo depois.

É que a fita é muito especial, ela resiste a enormes variações de temperatura, ao calor intenso da turbina, ao frio exageradamente negativo dos milhares de pés de altitudes.

A variação não afeta o poder de fixação da fita.

Além disso, ela é aluminizada, é muito dura, resistente ao fogo e resistente à alta velocidade, por isso tem esse nome.

Nesse caso da turbina, além de garantir que as peças ficassem muito bem presas à fuselagem, os mecânicos também moldaram, camada por camada, para devolver um pouco da aerodinâmica. Caso contrário o avião ficaria como um carro desalinhado, com o volante puxando pra um lado.

Na hora do embarque a desconfiança foi quase unânime, algumas pessoas até trocaram de voo, deixaram para embarcar no próximo e as piadas foram inevitáveis…

– Cara, será que esse band aid vai resolver?

– Se o avião cair e eu morrer, eu te mato!

– Essa fita crepe tá no prazo de validade?

Tá tudo ok pessoal! Podem embarcar que eu garanto (?)

Douglas Sawaki

Formado em Turismo e Hotelaria, com experiência em vendas e marketing na área do Turismo. Paulista que aprendeu a curtir São Paulo depois que deixou de ser um cara estressado. Meio sedentário, meio esportista, se é que você me entende.

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8 comentários em “Avião remendado? Não tenha medo!

    1. Francine, se eu estivesse embarcando e não soubesse, também ficaria…
      Obrigado pelo comentário!

  1. Cara, logo me formo engenheiro mecânico, preciso saber a marca dessa fita. Vou andar com um rolo no bolso depois de formado! 😀

    Na fuselagem eu até não surpreenderia, mas na turbina!? É tenso confiar num avião desses haha!

    Abraço

    1. E ai Glauco! Não foi da parte interna da turbina, foi a carenagem externa. Cara, só lembro que era 3M, mas não lembro o modelo certo. Pela descrição, pode ser esse aqui http://bit.ly/17kTTIv não tenho certeza…

      Abraço!!

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