Agora em 2017 o nosso Mochilão na Ásia completa 10 anos.

10 anos!!! Como passou rápido!

Aquela viagem certamente contribuiu para definir quem somos hoje e criou as bases para nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Tínhamos 25 anos, éramos jovens, bem novinhos rsrs…

Se você não nos acompanhava naquela época (sim, o blog já existia!), deixa a gente contar resumidamente o que foi a pré-viagem e um pouco da viagem, e aí, se você tiver interesse, pode ler todo o diário aqui.

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A pré-viagem

Foram 3 anos e meio morando no Japão, trabalhando duro 12 horas por dia, em muitos sábados e às vezes nos domingos também. Metade desse tempo em turnos trocados, um trabalhava de dia e outro de madrugada.

Nesse tempo economizamos o máximo possível para terminar a universidade, para estudar inglês e fazer intercâmbio, para poder fazer estágio final em um lugar que alavancasse nossa carreira e para viajar.

Foi lá que comprovamos que podemos realizar sonhos, se os sonhos forem encarados como objetivos e se um plano for traçado para alcança-los.

Fazer uma viagem de mochila nas costas era um sonho. Realizamos, assim como realizamos muitos outros sonhos também.

Nas poucas horas vagas do último ano no Japão, planejamos a viagem, usando guias impressos e participando de fóruns on-line, praticamente todos em inglês, já que em português quase não existia conteúdo, menos ainda sobre os países que estávamos planejando viajar.

Gente, o ano era 2006/2007, o Google engatinhava como motor de busca e mostrava nos resultados umas páginas totalmente sem conteúdo útil. Era tanto tempo perdido navegando de página em página. E estávamos no Japão, sem acesso a guias e revistas em português. Imagina o que foi planejar essa viagem!

O Mochilão na Ásia

Já na viagem, o dia a dia era todo off-line, exceto claro para publicar o diário no blog.

Não existia wi-fi no quarto, tínhamos que procurar uma lan house e muitas vezes era com internet discada hahahaha (olha esse computador da foto que era movido a moedas).

Acesso a internet durante o Mochilão na Ásia

Não existiam smartphones, eles foram lançados em 2007 quando já estávamos na estrada. Google Maps? Também não existia a facilidade do mapa on-line na palma da mão como hoje. Era mapa impresso.

Airbnb? Booking.com? Hahaha. A gente encontrava a hospedagem na raça, sem reservar antes, procurando na hora, andando de hostel em hostel.

Até tínhamos um cartão de crédito, mas com o limite beeeeem baixo, apenas para emergências. Usamos mesmo foram os traveller cheques. Isso mesmo, naquela viagem era a melhor opção, para não andar com dinheiro de mais de 100 dias de viagem em espécie na carteira.

Não sabe o que é um traveller cheque? Sabe de nada hein, novinho… Era um cheque de papel, emitido pela American Express que valia 100 dólares. Para transformá-lo em dinheiro, íamos a uma casa de câmbio que aceitava e trocávamos por dinheiro na moeda local.

A gente levava o número de cada traveller cheque anotado, pois se perdêssemos, podíamos trocar por outro. Era seguro pois só valia se fosse assinado no momento da troca e a assinatura era comparada com a do passaporte.

Voos low cost até existiam, mas low cost mesmo era ir por terra, no transporte da população local. Nada de transporte voltado aos turistas estrangeiros…

Tripadvisor para escolher restaurante? Na na ni na não. Escolhemos os restaurantes pela observação. Parece bom? É movimentado? Comemos muitas vezes sem nem entender o cardápio.

Fizemos mímica e desenhamos para sermos entendidos. Exercitamos a paciência e a empatia. Aprendemos a questionar estereótipos e a não cair no erro do preconceito.

Visitamos lugares que estão no imaginário de pessoas do mundo todo, que são cenas de filme, que são lendários.

Muito do que vivemos nos 132 dias de viagem por 8 países da Ásia, depois de termos morado 3 anos e meio no Japão, formam a base do que somos hoje como indivíduos e como casal. Também nos moldou direta e indiretamente profissionalmente, já que nossa área de formação e de atuação é Turismo e Marketing.

Foi uma experiência inesquecível, um aprendizado de vida riquíssimo!

Por que estamos dizendo isso agora? Por dois motivos.

10 anos do mochilão na Ásia e um convite a você

O primeiro motivo é que o Mochilão na Ásia completa 10 anos em 2017, e uma viagem que mudou nossas vidas não poderia passar desapercebido. Nunca esqueceremos a data em que o nosso mundo começou a diminuir, à medida em que nós começamos a crescer. 10 de julho de 2007.

Mochilão na Ásia destino Bali

Sim, esse é um post comemorativo! Mas também é um post-convite.

Convidamos você a fazer um mochilão também. De um mês, de dois meses, de meio ano, de um ano sabático, não importa a duração. O que importa é o espírito como a viagem vai ser encarada.

Vá! Pratique o desapego. Abra a mente e o coração. Se der medo, vá com medo mesmo, pois no caminho você perceberá que o medo não tem razão para existir.

Fazer mochilão deveria fazer parte da nossa cultura, como um rito de passagem, assim como é comum em países da Europa, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Israel, como uma transição para a maturidade, no intervalo entre o ensino médio e a universidade.

Se você está aí nos seus quase vinte anos, saiba que fazer mochilão te ensina valores que duram para a vida toda. Você aprenderá a valorizar as coisas simples. Encontrará pessoas das mais diversas culturas, crenças e realidades. Exercitará o jogo de cintura e a tomada de decisões. Aprenderá como planejar e executar a viagem, utilizando seus recursos com sabedoria. E esse aprendizado poderá ser aplicado em todos os momentos de sua vida pessoal e profissional. Viver tudo isso pode te inspirar na escolha da sua carreira.

Mochilão na Ásia passando pelo Taj Mahal na Índia

Se você está nos seus 20 e poucos anos, esse é o momento ideal para dar uma parada na universidade para saber se você está no curso certo. Isso que você está estudando te faz brilhar os olhos? Quando você se imagina formado, seu coração bate mais forte? Será que você já possui mesmo a bagagem de vida para saber que esse é o curso certo? Então vá descobrir o mundo e se conhecer melhor!

Se você está na casa dos trinta, dos quarenta, dos cinquenta, pode ser a hora de fazer um balanço da sua vida. Fazer um mochilão vai clarear as suas ideias e dar a serenidade necessária para te ajudar a decidir como mudar o que não está bom e para definitivamente te fazer correr atrás dos sonhos que estão ficando para trás.

Sim, sabemos que você tem sonhos e por isso deixamos a pergunta: quanto o seu trabalho te paga por mês para você deixar os sonhos para trás?

A essa altura, você leitor recente do blog deve estar pensando: vocês já foram mochileiros? Nem parece!

A mudança

É aqui que entra o segundo motivo desse post.

Tem gente que viaja a vida toda de mochilão, porque isso é um estilo de vida. Por alguns anos, antes e depois do Mochilão na Ásia, esse era o nosso estilo também. Que fique claro, nós temos grande apreço pelo mochilão, mas atualmente não viajamos mais assim.

A viagem de mochilão pela Ásia era um sonho de um casal de vinte e cinco anos de desbravar o mundo, que lutava pela formação universitária, pelo estabelecimento profissional e pela consolidação da vida a dois. 

Esse era o nosso momento de viajar de mochilão e o nosso sonho de viajar com uma mochila nas costas foi realizado.

Poderíamos seguir sonhando com outras viagens de mochilão? Sim, claro. Outros planos de fazer mochilão sempre estavam na nossa cabeça, mas aos poucos novos sonhos foram surgindo, apareceram novas realizações pessoais e profissionais para correr atrás.

Seguimos desbravando o mundo, de pouco em pouco.

A vontade de desbravar o mundo de mochilão deu lugar a vontade de viajar o mundo de forma diferente. A mochila deu lugar à mala de rodinhas, mas o sonho de conhecer cada país, cada destino, cada atração, e compartilhar essas conquistas com mais e mais pessoas continua vivo. É o nosso projeto de vida.

Sakura no Brasil em São Roque

Hoje as viagens são, digamos assim, menos extensas e menos intensas do que em um mochilão. Hoje curtimos viagens mais leves. Até por isso o blog mudou de nome para Me Leva de Leve 😉

Seguimos escolhendo experiências que nos façam suspirar, mas mudamos um pouco onde nos hospedamos, como nos transportamos e onde comemos. Hoje escolhemos hotéis que nos proporcionem conforto e uma boa noite de sono, meios de transportes que nos permitam descansar entre um destino/atrativo e outro e agora optamos por restaurantes não apenas para nos alimentar, mas também para encantar nosso paladar.

Uma coisa não mudou. Não buscamos apenas uma coleção de carimbos no passaporte, mas sim experiências que nos proporcionem as melhores recordações, que façam valer a pena o nosso tempo e dinheiro investidos.

Hoje somos esses viajantes que você vê aqui, que buscam conhecer lugares incríveis e ter experiências marcantes, mas que acima de tudo continuam acreditando que sonhos podem e devem se tornar realidade.

Para nós não existe um estilo correto de viajar. De mochilão ou mala de rodinhas, o importante é que cada viagem nos faça feliz.

 

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Douglas Sawaki

Formado em Turismo e Hotelaria, com experiência em vendas e marketing na área do Turismo. Paulista que aprendeu a curtir São Paulo depois que deixou de ser um cara estressado. Meio sedentário, meio esportista, se é que você me entende.

2 comentários em “Mudanças e reflexões 10 anos depois de um Mochilão na Ásia

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